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METODOLOGIA

O QUE É?

"A Pegada Ecológica é uma metodologia reconhecida internacionalmente e desenvolvida pela Global Footprint Network que permite medir o impacto das nossas atividades de consumo nos recursos naturais do planeta"

A Pegada Ecológica é uma metodologia reconhecida internacionalmente e desenvolvida pela Global Footprint Network que permite medir o impacto das nossas atividades de consumo nos recursos naturais do planeta. A metodologia pode ser aplicada a várias escalas, desde um indivíduo, cidade, região, país, até ao planeta Terra, comparando os recursos naturais usados para suportar um determinado estilo de vida com a capacidade dos ecossistemas para gerar esses mesmos recursos. É uma importante ferramenta de alerta para as necessárias mudanças de comportamento de consumo das sociedades atuais e para um novo paradigma de efetiva valorização dos serviços prestados pelo ambiente ao ser humano.

No âmbito da Pegada Ecológica dos Municípios Portugueses, foi utilizada a metodologia top-down da Global Footprint Network com base nas Contas Nacionais da Pegada Ecológica de Portugal (NFA edição 2018) (ver imagem). A PE dos municípios Portugueses foi calculada para o período de 2011 a 2016.

O CÁLCULO

DA PEGADA ECOLÓGICA (PE)

resume-se nas seguintes etapas:

01

Para o cálculo das Contas Nacionais da Pegada Ecológica de Portugal são recolhidos dados sobre a quantidade de recursos naturais procurados (ou dióxido de carbono emitido) e divididos pelo rendimento médio (ou sequestro de carbono médio) dos ativos ecológicos que fornecem tal recurso (ou serviços de sequestro de carbono). Os valores obtidos são multiplicados por fatores de equivalência e calculados em termos de unidades de hectares-equivalente (ou seja, hectares globais, gha). Como segue a perspetiva do consumo, a Pegada Ecológica de Portugal é estimada através do cálculo da Pegada Ecológica de tudo o que é produzido no nosso país adicionando, em seguida, a Pegada Ecológica das importações e subtraindo a PE das exportações.

02

Os valores das Contas Nacionais da Pegada Ecológica de Portugal não mostram quais as atividades económicas requeridas, mas sim as consequências, em termos de apropriação do solo, pela exigência dessas atividades económicas. Para calcular os valores da PE por categorias principais de consumo calibram-se os dados das Contas Nacionais com tabelas de entrada e saída multi-regionais (Multi Regional Input-Output -MRIO) da base de dados da “Global Trade Analysis Project” (GTAP). O resultado é uma Matriz de Consumo por tipologia de Uso do Solo (Consumption Land Use Matrix - CLUM) para Portugal. Uma vez que o INE rastreia a forma como a indústria, o governo e as famílias gastam o seu dinheiro em Portugal, podemos usar essas estimativas para traduzir resultados da PE por tipologia de uso de solo, em resultados de PE por 12 grandes categorias de consumo, deslocando assim o debate das áreas onde a pressão humana está a ser colocada para as atividades de consumo que são responsáveis por tais pressões.

03

Foram obtidos dados da Oxford Economic (Oxford Economics, 2014) relativos às Despesas das Famílias, Governo e Formação Bruta de Capital Fixo ao nível de NUTS III, em paridade poder de compra – para estimar o total das despesas municipais em cada uma das 12 categorias de consumo.

04

Para diferenciar o consumo médio dos residentes nos municípios com o da média nacional foi utilizado o Indicador per Capita do Poder de Compra Concelhio (IpC), que é uma medida do poder de compra relativo de cada município, em comparação com o valor de referência de Portugal. Estes fatores de ponderação anuais foram usados para calcular a Pegada Ecológica final de cada categoria em cada município para o período 2011-2016.

Diagrama da Metodologia de Cálculo 

PEGADA ECOLÓGICA

DA ALIMENTAÇÃO

O estudo da Pegada Ecológica neste projeto efetuou também uma desagregação detalhada da Pegada Ecológica da Alimentação referente ao ano de 2014.

CÁLCULO

DA BIOCAPACIDADE

A biocapacidade a nível subnacional foi calculada para os seis municípios e distritos correspondentes. A biocapacidade é calculada pela GFN como a área de cada tipo de uso do solo existente num país, multiplicada pelo fator de produtividade (YF) e pelo fator de equivalência (EQF) para cada tipo de uso de solo.